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Melhores filmes de horror psicológico da Era Moderna

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Recentemente o canal do Youtube Cinemassacre criado por James Rolfe (famoso por fazer o Angry Video Game Nerd) está fazendo um especial de Halloween chamando “Monster Madness” onde todo dia do mês de outubro ele posta um vídeo análise sob o tema de horror. Esse ano ele dividiu as análises em temas e um desses temas era justamente “Top Ten Tuesday” (top 10 das terças).

Nesses vídeos ele fez pequenas listas do que, segundo ele, foram os melhores filmes de cada período. Tendo listas sobre os melhores terror do cinema mudo (até 1930), da era de ouro (1930 -1940), da era de prata (50’s, com filmes de sci fi e 60’s, com filmes de horror mais puro) e por fim, a era de bronze (1970-1980).

James então encerra a lista dizendo que os anos 80 foram a última década clássica dos filmes de horror e que os filmes recentes não tem nada de tão impressionante para encher um top 10. E é ai que eu discordo. Mesmo adorando as análises dele e os top 10 que ele tinha feito até então, não pude deixar de pensar num top 10 do horror moderno sob uma temática que a diferencie dos outros períodos.

Por isso criarei essa lista em duas partes com filmes de horror psicológico dos anos 90 até os dias atuais. Selecionarei apenas os melhores filmes do gênero para serem listados aqui. O horror psicológico porém não é algo novo, é feito desde o grande clássico cult do horror chamado “The Cat People” de 1942 e usado vez ou outra por Hitchcock. Mas os anos 90 deram novo fôlego ao gênero que cresce cada vez mais.

Jacobs Ladder

Esse filme é simplesmente fantástico. Não só é uma obra revolucionária da cinematografia como transcendeu sua mídia e influenciou Silent Hill, a minha série de jogos favorita. Sobre esse tema eu já fiz um texto aqui. Então… o que há mais para dizer sobre essa grande obra de arte?

Sua estrutura narrativa é toda fragmentada em diversas partes que, não se sabe ao certo a ordem cronológica da história ou sequer se elas são reais ou não, e o filme faz esse tipo de narrativa anos antes de diretores como Christopher Nolan e Satoshi Kon a tornarem populares.

O filme é uma crítica anti guerra como Nascido para Morrer de Kubrick, é uma história sobre um protagonista lentamente enlouquecendo mas também, conta a história de superação e aceitação do protagonista com a morte do seu filho e… outra coisa também. Aceite minha sugestão e vá assistir esse filme, AGORA!

A Bruxa

Um excelente filme com narrativa tensa e arrastada que conta sobre uma família que, vendada sob uma fé cristã doutrinadora, emerge pouco a pouco na insanidade e paranóia. Um filme excelente que infelizmente foi estragado pelo hype excessivo do marketing na época, onde se vendeu um filme de terror sobrenatural.

Sobre a relação do filme com o horror sobrenatural e de como o marketing colocou expectativas erradas nos espectadores, eu já escrevi um texto só sobre isso (e que ainda hoje é um dos mais acessados da página. Então não há muito sobre o que comentar. Focarei aqui em alguns elementos da narrativa que achei fantásticos.

O filme trata com bastante ironia alguns dos dogmas cristãos dos puritanos (grupo de colonizadores ingleses nos EUA), o filme começa com a expulsão da família da colônia por causa do pecado de orgulho do pai (o que para o período, é quase uma sentença de morte), o irmão mais velho, criado afastado da comunidade, começa a desenvolver um desejo sexual por sua irmã. Os pais, em meio às dificuldades financeiras, pensam em vender sua filha mais velha como “esposa” para uma das famílias mais endinheiradas.

E é em base a esse clima tenso, principalmente desenvolvendo com a filha mais velha, que o filme trabalha uma narrativa de profecia auto realizável onde a personagem só se vê livre quando aceita a imagem que construíram dela durante a narrativa.

Babadook

Assim como A Bruxa, Babadook sofreu com as mesmas expectativas cultivadas por fãs de horror gore ou sobrenatural que não souberam exatamente aproveitar o clima e enredo desse filme que, como a Bruxa, é um pesado horror psicológico mergulhado em um clima de desconstrução familiar.

O filme conta a história de Amelia, que tem de cuidar sozinha de seu filho Samuel após a morte de seu esposo em um acidente de carro. Profundamente abalada e com dificuldades de aceitar a morte de seu ex-marido, Amelia tem problemas de sono e parece lentamente disposta a criar alucinações. Com esse medo refletindo lentamente em seu filho.

Tudo piora após Amelia ler para seu filho, um livro infantil chamado Senhor Babadook que, com uma história doentia e com imagens gráficas perturbadoras, começa a surtir um efeito péssimo na família. Muitos espectadores foram assistir o filme imaginando tratar-se de um slahser onde Babadook representaria um monstro que iria aterrorizar a família.

Porém, com base no horror psicológico, o grande monstro do filme é nada menos do que a fina linha de sanidade com os quais os personagens são obrigados a lidar.

A Bruxa de Blair

Não importa qual sua relação com esse filme, não tem como negar sua importância na história dos filmes de horror e como eles conseguiram reviver e nomear o gênero “found footage” (gravação achada, numa tradução literal), influenciando filmes como Atividade Paranormal, Rec e Contatos de 4º Grau.

O gênero found footage estreou com o filme italiano Cannibal Holocaust de 1980, fala sobre um grupo de pesquisa perdido na América do Sul onde é devorado por uma tribo indígena canibal. Esse filme fazia parte do gênero exploitation canibal, gênero que teve bastante sucesso na Europa dos anos 80. O gênero usava violência gráfica para impressionar sua platéia e seu diretor teve de provar no tribunal que nenhum ator tinha morrido nas gravações.

No filme Bruxa de Blair no entanto, é usado muito mais do horror psicológico para aumentar a tensão do filme. A história trata de uma equipe de documentaristas pesquisando sobre a lenda de uma bruxa conforme vão se perdendo na floresta e lentamente perdendo a sanidade. O horror aqui é feito totalmente pela sugestão, pois durante o filme nunca é mostrado a bruxa de fato.

O Sexto Sentido

O primeiro grande sucesso do M. Night Shyamalan e que marcaria a carreira do diretor pra sempre, trazendo como assinatura a reviravolta da história em todos os seus filmes. A história começa com Dr. Malcolm Crowe, um psicólogo interpretado por Bruce Willis que, após um incidente com um ex paciente seu, acaba separando da mulher.

Crowe então começa a analisar um pequeno garoto chamado Cole Sear que tem o poder de ver pessoas que já morreram, pedindo para que o menino os ajude a trazer justiça a suas mortes e dar paz aos seus espíritos, com um grande uso de fore-shadowing para a trama que seria solucionado só no final do filme.

Fazendo uma subversão do horror japonês antes sequer do horror japonês se popularizar nos EUA (Ringu, que deu origem ao remake O Chamado tinha sido lançado um ano antes no Japão e Ju-On que deu origem a O Grito, seria lançado em 2002 apenas), Shyamalan criou um grande sucesso da época com um filme surpreendente que infelizmente nunca seria superado (apesar que existiu um filme de super heróis dele que merece respeito e do qual eu já fiz uma análise aqui).

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