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Acertos e Erros de Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

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Após anos e anos de terríveis adaptações de games, Warcraft chega intencionado a reescrever a história das adaptações de games para o cinema do modo como o Homem de Ferro (2008), Batman Begins (2005) ou Blade (1998) fizeram com adaptações da HQ, será que sua ambição foi cumprida?

 

Eu já escrevi um texto sobre o assunto e muito do que iriei comparar é baseado nele, vale a pena dar uma conferida para se atualizar. Finalmente, vamos a pergunta central do texto. Quais foram os acertos da produção do filme, e quais foram suas falhas? Confiram o balanço final.


Pontos positivos
Como sempre, meu bom coração sempre atento ao trabalho da obra me pede para analisar os aspectos positivos do filme, então vamos aos dados que fariam sua ida ao cinema valer a pena.

 

Respeito ao material fonte e honestidade da produção
Uma coisa que não dá pra deixar de argumentar sobre o diretor Duncan Jones, ele é alguém apaixonado pelo material fonte. Não foram poucas as vezes que ele se pronunciou fã jogo e definitivamente toda a paixão da obra foi passada para a tela. Diferente dos Uwe Bolls da vida, a intenção do diretor e da equipe criativa era realmente fazer uma adaptação, e não apenas pegar o dinheiro e ir embora.

 

Eu nunca joguei nem os jogos de estratégia e nem o tão aclamado World of Warcraft, então não posso opinar pela fidelidade a mitologia e história do jogo, mas esse ponto está sendo defendido por diversos fãs, então eu apenas tomarei o lado dos mesmos.

 

Alguns críticos argumentaram que pessoas que desconhecem o jogo não iriam apreciar o chamado “fanservice” do filme. Bem, eu fiquei encantado com cada cidade, cada ambiente e cada raça apresentada na narrativa, mesmo não conhecendo nada de seu universo. E não vi cenas desperdiçadas somente para “agradar fãs”. No parágrafo seguinte descreverei tres cenas que contém spoilers, leiam por responsabilidade própria.

 

[spoiler] 1) No começo do filme, é mostrado uma cena na forja com um humano falando sobre uma arma chamada “boomstick” (graveto explosivo). A cena serve pra apresentar um elemento não comum na fantasia medieval (arma de fogo) e a relação dos humanos com os anões. 2) No acampamento orc é mostrado uma raça presa em caixotes implorando para que um bebê de sua espécie seja poupado. A orquisa mestiça pede clemência ao grande vilão que é prontamente negado. A cena é feita para desenvolver a personalidades dos dois por meio da ação. Finalmente 3) O mago Khadgar vai ao grande conselho dos guardiões pedir ajuda, a cena mostra um pouco de como funciona a cadeia de comando no mundo mágico e de como ela é enrigecida.[/spoiler]

 

Respeito a essência
Apesar de não ter jogado a série, eu sou um grande fã de MMORPGs e fantasias medievais (Ragnarok e a série Elder Scrolls roubaram bastante horas da minha vida. E a essência disso está presente na tela. Um mundo vasto e encantador, elementos de magia e fantasia, aquela sensação de que uma grande aventura está se desenvolvendo, tudo isso está presente na experiência do filme.

 

O filme corria um grande risco de cair em mais uma cópia da fórmula do Senhor dos Anéis e, apesar de não ser temeroso de querer adaptar alguns elementos funcionais da franquia, não vira refém do gênero e acaba replicando integralmente a fórmula. Aliás o filme soube beber das referêcias de séries como Harry Potter e Narnia.

 

Efeitos especiais
Sejamos sinceros. Um filme de fantasia tem uma ambição estética muito diferente de um thriller psicológico ou um drama imersivo alternativo europeu. A fantasia serve para alimentar a imaginação e muito disso é feito com os efeitos especiais, e o filme não teme usá-los a vontade.

 

A magia é um elemento que dificilmente é levado aos filmes. Os filmes de superherói ainda estão para experimentar a fórmula em Dr. Estranho da Marvel e na personagem Magia no filme Exquadrão Suicída e mesmo a série Harry Potter que centra seu universo na magia, usa-a com pouca frequência como elementos para alavancar a narrativa, e que são deixados de lado quando não necessário.

 

Um dos personagens do filme que é mago usa suas magias o tempo todo e todos seus feitiços brilham a tela. Quando não é possível usá-los o enredo acaba se adequando de modo satisfatório para explicar a falta deles.

 

Pontos Negativos
Apesar de respeitar tudo o que é necessário para uma adaptação, o filme falha em alguns pontos estruturais como mídia. Apesar de não comprometer toda a experiência, são erros que produções posteriores devem evitar, vamos a eles.

 

Atuação
Okay, eu não sei se é um problema de direção ou o ator realmente não sabe fazer melhor, mas o protagonista Lothar está completamente perdido no filme e Garona tem um desenvolvimento de personalidade um pouco estranho.

 

No começo do filme ela parece uma personagem fraca e sensível por ser uma escrava. Porém no meio do filme ela ganha uma personalidade muito mais agressiva e desabituada aos costumes humanos (como Thor em seu primeiro filme) e no final ela volta a ser a personagem sensível… É um arco confuso.

 

Com Lothar o problema é um pouco mais sério, pois ele é o protagonista. Uma dos elementos principais da atuação é a reação, e o roteiro proporciona dois momentos densamente emocionais para o personagem reagir e sua reação… não é muito boa. Ele agindo em cena no geral parece meio perturbado também, fora do ritmo do resto do elenco. Mas não é nada que destrua o filme por completo.

 

Montagem
O mesmo problema que sofreu Batman V Superman mas, em minha opinião, de maneira mais branda. O filme é gravado com planejamento porco e o produto final fincando muito grande, então cenas precisam ser cortadas, entregando uma obra com cortes bruscos que pulam na história sem muito contexto.

 

O diretor falou que foi perdido 20 minutos do filme no corte final. Se esse filme ia explorar melhor os personagens, fazer transições de cenas mais suaves ou explicar algumas decisões estranhas na narrativas… nunca iremos saber.

 

Pouca diversidade
Eu sei que parece contraditório depois do que falei nos tópicos sobre respeito a essência e material fonte. Mas para um universo de MMORPG de fantasia medieval, que bebeu da influencia das pulp novels e soap operas do começo do século XX, onde são constantemente apresentadas raças e mundos diversificados, ficou um pouco devendo no corte final.

 

Basicamente só são mostrada as classes de magos, paladinos e guerreiros. Eu que gosto de jogar como caçador não tive nenhum personagem para me projetar e, após uma breve pesquisa, vi que existem 12 classes no jogo.

 

Em questão de raças, a história foca no desenvolvimento dos Orcs e Humanos enquanto é mostrado brevemente os Anões e Elfos. No jogo também temos um montante de 12 raças, o que certamente daria um peso de diversidade no jogo e criaria um universo ainda mais interessante.O jogo toma mais influência nos jogos de estratégia do que no MMO, por isso talvez essa reclamação seja um exagero da minha parte.

 

Conclusão
Longe de competir com os melhores filmes do ano mas com ampla vantagem sobre outros filmes do gênero, famoso por filmes como Resident Evil e Super Mario Bros. Warcraft é uma adaptação honesta e sincera dos jogos, mas falha em alguns aspectos gerais para se montar um filme por si só.
Ainda que não seja a tão épica obra que traria uma era de glórias para as adaptações de jogos para o cinema, o filme é uma obra interessante e uma carta de amor para os fãs do gênero e da série.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Amigo, o filme não é sobre o WOW, e sim sobre warcraft orc and humans, o primeiro jogo da triologia, Warcraft, por isso você não vê uma aliança sendo representada! Não ve os elementos totais do WOW, e sim do Wacraft 1, digo para você assistir o gameplay da campaing, ou até joga-la e você entenderá mais sobre o filme!

  2. Foi uma filme feito para fãs, o que ninguém teve coragem de fazer até agora…. e o MMO esquece…. como Victor Giron falou é sobre outra Lore… se já teve cortes mostrando um minimo pedaço da historia toda sobre a franquia Warcraft, imagina se inserisse mais elementos do MMO. Se tudo der certo virão outros filmes e novos aspectos vão começar a aparecer. Já atuação de Travis Fimmel como Lothar é muito semelhante a sua como Ragnar e VIkings… ele tem esse jeito meio ‘psicótico’

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