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A Estética Audiovisual de Caravan Palace e o Electro Swing

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Já faz um longo tempo de que não faço um review musical aqui no blog, e recentemente fiquei encantado, para não dizer apaixonado, pela banda de Electro Swing chamada Caravan Palace, não só pelo som bem típico e diferente da banda, mas também por videoclipes com uma estética única e bastante diversidade.

 

“O que diabos é electro swing” e “o que pode haver de tão especial na arte dos videoclipes” podem ser perguntas que vocês estão formulando exatamente agora, e eu irei respondê-las mais adiante. Se você gostou da minha recomendação da banda Anamanaguchi e da minha análise do Simpsonswave, acredito que irá também se entreter com esse texto.

 

Electro Swing

Um encontro perfeito com o clássico e o novo seria uma definição bem fiel ao estilo, misturando os ritmos clássicos do começo do século XX como Jazz, swing (no melhor estilo O Máscara), Dixieland e outros ritmos das décadas de 20 e 40 com batidas eletrônicas, autotunes e sintetizadores, o Electro Swing é uma explosão de som empolgante e dançante que é impossível ficar parado.

 

Eu conheci o gênero através dessas inúmeras playlists enormes de músicas no youtube e o ritmo rapidamente me cativou. Iniciado por volta dos anos 90, o ritmo conseguiu um grande estouro nas rádios com o sucesso da banda Yolanda Be Cool chamado: “We No Speak Americano” (conhecido vulgarmente como pa-panamericano).

 

 

O que há de especial no Caravan Palace?

A banda francesa Caravan Palace é uma das mais expoentes do gênero. Tendo menos ênfase no Swing e mais no Dixieland, gênero bastante popular na própria França e em New Orleans (estado americano com diversos descendentes franceses) nos anos 20, com uma sonoridade mais “caipira” devido o uso de instrumentos como banjo e violino.

Mas o mais importante para esse texto, o maior atrativo dessa banda é sua variada produção de clipes musicais com artes incríveis que, vos garanto, é capaz de entretar uma tarde inteira em visualizações do youtube. Separei aqui alguns clipes que gostei em especial.

 

Lone Digger, o lado escuro da Zootopia

Parafraseando um dos comentaristas do vídeo no youtube, num raro momento de lucidez, é como uma versão bem mais dark de zootopia. Cada grupo de pessoas no bar é um tipo de animal diferente, com roupas e personalidades próprias. Um grupo de gatos com agasalhos de esporte entra na boate e é diretamente hostilizado por um grupo de dobbermans em ternos pretos.

 

O clima tenso é acumulado até o ponto inevitável de enfrentamento entre os dois grupos proporcionando um final um tanto inesperado pelo teor “clean” da animação, vale a assistida unicamente pela pequena história contada.

 

 

Expressionismo Metrópolis x Fleischer Studios

Esse clipe mistura dois elementos estéticos diferentes que eu pessoalmente adoro. De um lado temos um dos mais proeminentes filmes do Expressionismo Alemão e da ficção científica do começo do século XX. Metrópolis foi um filme lançado em 1927 que balançou o cinema mudo e serve de referência para cineastas de todos os tempos, incluindo George Lucas com o desenho do C3PO.

 

No clipe temos de referências diretas a frames do filme misturados a temas comuns da ficção científica do período, como invasões alienígenas que foram muito bem representadas em livros como “Guerra dos Mundos” de H. G. Wells.

 

Por outro lado estético do filme, temos uma clara referência a era das animações em preto e branco que muito associam diretamente com os primeiros anos de Mickey Mouse, mas que na verdade é marca assinada do Fleischer Studios, que na verdade antecedeu a fama do pequeno rato.

 

Flescher pensava em um tipo de animação que poderia ser próprio para adultos, o seu trabalho mais famoso é sem dúvida Betty Boop, com traços generosos e sensuais enquanto Walt Disney e seu Mickey Mouse pretendiam (e conseguiram, com algum sucesso) associar as animações ao público infantil.

 

 

Suzie e os Roaring Twenties

Quase tudo da banda deixa transparecer esse período dos anos vinte chamado “Roaring Twenties” (estrondosos anos 20), período de grande êxtase social causado pela boa situação econômica, otimismo com a nova tecnologia (carro, rádio e cinema) e liberdade sexual e a popularização do Jazz que serve de inspiração pra própria sonoridade da banda. Esse período de extravagância teve fim com a crise de 1929.

 

O robô que protagonizou o último clipe (e que proporciona o nome do álbum desenhado em algoritmos) volta em forma diminuta, onde fica simplesmente encantado pela sensualidade da vocalista da banda e a sonoridade do som. O clipe mostra a carreira profissional dos dois numa grande viagem estética que mistura colagem, iconografia modernista e steampunk.

 

Espero que tenham gostado da minha recomendação musical e, como eu e meus amigos, tenham perdido uma boa tarde no youtube assistindo aos diversos clipes divertidos da banda.

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