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Acertos e Erros de Caça Fantasmas (2016)

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Sendo conhecido por ter o trailer com mais dislikes da história do Youtube, Caça Fantasmas chega ao cinema com muita polêmica e brigas entre os fãs clássicos da série que o acusam de estragar o legado da série, com um público novo interessado na possibilidade narrativa de um blockbuster  voltado ao público feminino e com um grupo de mulheres como personagens principais.

Mas a pergunta  que temos de fazer é, como filme, o reboot de Caça Fantasmas é bom? Ele trás uma nova história a ser contada e uma nova franquia pra ser iniciada? Ou é apenas um filme entre vários que não nos leva a lugar algum. Vamos descobrir!

 

Positivos

Como sempre, irei começar pelos pontos positivos do filme!

 

O time feminino

Eu não entendo como esse ponto pode ser visto como crítica por tantos outros. O Caça Fantasmas original foi um grande filme que marcou época com alguns elementos um tanto difíceis de serem reproduzidos. Tanto que sua sequência fez o possível para imitar os passos e fórmulas do primeiro e acabou entregando um filme bastante descartável. Por isso um elenco completamente feminino pode ser justamente a escolha certa para dar novo gás a franquia, com novas possibilidades narrativas.

 

E não é como se a equipe fosse pouco talentosa. Todas as moças são comediantes com uma carreira respeitável e as quatro já trabalharam no Saturday Night Live, programa humorístico clássico dos EUA, responsável inclusive por revelar Dan Aykroyd e Bill Murray, fazendo com a escolha de trazer gente do programa para o filme seja ainda mais natural. As quatro atrizes tem uma boa química juntas e trabalham bem durante o filme.

 

Gadjets

Cada vez mais comuns em filmes de heróis e ficção científica. Talvez o grande boom tenha sido com os filmes Batman Begins em 2005, talvez seja um mero reflexo da nossa sociedade cada vez mais digitalizada e munida de eletrônicos mais desenvolvidos, mas gadgets são parte do nosso cotidiano, são frequentemente retratados em filmese nesse caso o filme sabe usar eles perfeitamente bem.

 

A personagem inventiva e excêntrica de Kate McKinnon é a grande responsável por constantemente aumentar o arsenal da equipe, conduzindo a um grande desfile de equipamento no último ato do filme que certamente entretêm. Todos os gadjets criados por ela são intuitivos e úteis, fazendo com que não sejam apenas um pretexto para vender mais brinquedos. Não que o estúdio não tenha tido essa intenção, apenas que a história soube absorver os elementos de forma fluída).

 

Negativos

Como o quadro já deixa a entender. Nem tudo são rosas e o filme tem sim alguns problemas.

 

Humor infantil

Talvez seja esse o público almejado pelo filme, ainda que sua classificação etária seja PG-13, a mesma de filmes como Cavaleiro das Trevas e Capitão América: Soldado Invernal (não entendeu como funciona a classificação? Veja meu texto sobre esse assunto aqui) e ainda que o próprio filme original não seja um poço de maturidade humorística (como uma simulação de sexo oral de um fantasma em Ray) mas ainda sim, o nível de humor de algumas piadas do filme é bem abaixo da expectativa.

 

Há piadas corporais (de peidos vaginais, pra ser exato) e outras coisas meio lamentáveis. Mas claro, nem tudo é perdido e tem partes no filme que realmente me divertiram. Mas no geral, em maior número. O humor é fraco e direcionado ao público infantil.

 

Personagens unidimensionais.

Um problema grave do filme. Muitos personagens não tem nenhuma profundidade e parecem paródias de si mesmos. Chris Hemsworth surpreende evoluindo do Vingador menos interessante do Universo Marvel para uma grande surpresa cômica em Caça Fantasmas, porém preso ao trope da secretária burra, só que de gênero invertido. Seria perfeitamente natural um personagem mais comum parecer burro perto de um time de cientistas. Mas o personagem de Chris deixa de ser um burro engraçado para ser um completo imbecil impossível de existir e que tira toda a suspensão de descrença do filme.

 

Outra personagem estereotipada é a de Leslie Jones que, ao ser a única negra do grupo, é a única que não é a cientista. Repetindo o erro do Caça Fantasmas original que diminuiu a participação de Ernie Hudson no filme. Para um filme que clama em ser tão progressista, faz algumas escolhas de personagens bem antiquadas.

 

As outras personagens também são bem cartunescas e com personalidades de adolescentes, mas nada tão grave como os dois personagens que já mencionei. Jillian Holtzmann é bizarramente excêntrica lembrando até a personagem Arlequina, mas o caso é contornado pelo carisma da atriz.

 

Não ser uma sequência

Quando finalmente parecia que Hollywood havia aprendido a não fazer reboots pelo sucesso devido a filmes que conseguiram dar sequências a franquias a muito tempo perdidas como Star Wars e Jurassic Park (ambos maiores bilheterias de 2015), vemos que ainda há estúdios que insistem no erro.

 

Talvez pior ainda foi trazer grande parte do elenco original de volta para fazer pequenos cameos, inclusive Bill Murray que publicamente evitou fazer uma sequência de Caça Fantasmas por anos e que, ironicamente, tem a maior participação em tela do time original.

 

Para as pessoas que cresceram com a série, esses cameos não tem a menor graça e se mostram descaracterizados (o personagem de Murray é completamente desconexo da narrativa). Para quem é criança e está iniciando a franquia agora, a participação desses atores é completamente indiferente. Os cameos falham tanto para novos fãs como aos velhos. E para finalizar o filme ainda tenta copiar os mesmos passos narrativos do filme original, da mesma forma que Caça Fantasmas 2 tinha feito e falhado também.

 

Perder o foco do filme original

Ainda que o filme tenha mantido a relação problemática da equipe com a prefeitura, nesse caso focando mais no trabalho secreto do governo para tapar os olhos da população aos problemas da cidade, e menos em ter problemas com licenciamento das armas e equipamento. E também mostrando a dificuldade de financiamento de pesquisa no ramo da equipe. Ainda falha num aspecto adicional.

 

O Caça Fantasmas original é quase que uma homenagem aos funcionários blue color (de colarinho azul, em oposição a burocratas e empresários, de colarinho branco). Ligando a imagem da equipe mais a um time de dedetização de insetos do que a versão super heroína do reboot. Um ponto central do humor do filme é mostrar uma equipe de amadores experimentais lidando com a aparição de uma divindade suméria de milênios atrás. No filme novo é uma equipe de super-heroínas lidando com um esquisitão mimado.

 

O que nos leva…

 

Um vilão descartável

Esse é o ponto mais fraco da crítica porque, sinceramente, quase nenhum filme atualmente anda conseguindo criar um vilão realmente convincente (esse ano estou me lembrando apenas do filme Mogli). Porém nem por isso é justificado usar o plano maluco do personagem, a razão inexplicável dele ter ficado super poderoso depois da morte e por ele escolher a forma do logo dos caça fantasmas de forma distorcida como forma final.

 

Ter transformado ele numa materialização dos críticos que o filme conseguiu antes mesmo de estrear também não foi uma atitude muito matura.

 

Conclusão

É um filme mediano criado para reviver a franquia e dar nova vida a venda de produtos da série. Apesar de um roteiro e piadas fracas, a ideia central de um grupo de mulheres como caça fantasmas trás novas possibilidades interessantes para a narrativa e, se esse é o problema do filme para você, você tem alguns probleminhas mal resolvidos.
Esse filme Irá se perder no meio de tantos filmes de ficção científica do ano e por ter estreado no mesmo ano de Deadpool (que é até então o filme mais engraçado do ano com folga). Não é o desastre pintado pela crítica depois do primeiro trailer mas também não é um filme que mereça uma segunda assistida, tendo talvez um efeito positivo em crianças e pré adolescentes, principalmente entre o público feminino.

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