Início Análises e Teorias Livre iniciativa vs. Regulação Central em Capitão América: Civil War

Livre iniciativa vs. Regulação Central em Capitão América: Civil War

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Baseado na mega saga Marvel Guerra Civil. O filme coloca os dois grandes heróis e líderes históricos dos Vingadores frente a frente por discordarem diretamente em uma única ideia. Se os heróis devem ou não responder a um órgão centralizado ao invés de agirem por iniciativa própria. Entenda a base filosófica para ambos os lados.

 

Uma breve resenha do filme

O filme consegue trabalhar bem todo o passado do MCU e satisfazer os fãs fiéis que acompanham religiosamente cada filme lançado, além de estabelecer um futuro direto para a franquia no geral, como também traz um ótimo espetáculo para fãs mais casuais que estão para ver os figurões da empresa trocando porradas em lutas fantásticas e performances arrasadoras que ficarão na memória por muitos dias

 

Capitão América: Civil War é um filme dinâmico e maravilhosamente orquestrado que usa quase todos seus heróis do universo cinematográfico num embate ideológico em que todos são apresentados em seus lados por motivos bastante convincentes e naturalmente escolhem lados que, numa escalada de tensão leva inevitavelmente a um confronto direto. Vamos primeiro ao lado rebelde anti registro do escoteiro da América.
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Capitão América e os Pais Fundadores

Capitão América não leva as cores da bandeira dos EUA a toa. Numa visão geral do personagem (que passou por várias caracterizações em diversas mídias) é defendido os ideais de liberdade e justiça, que são diretamente associados aos pais fundadores dos EUA, responsáveis pela independência frente a coroa britânica e a criação da declaração da independência.

 

No período que os Estados Unidos se separaram da Inglaterra, toda a Europa estava mergulhada em diversas guerras entre os países e com isso em mente, os pais fundadores defendiam uma não intervenção bélica em outros países (que não durou até metade do século XIX) e talvez por isso seu maior símbolo seja um escudo, simbolizando uma posição defensiva do Capitão frente aos seus inimigos.

 

Quanto a centralização e administração vertical de comando, Steve Rogers já serviu ao exército durante a segunda guerra mundial em seu primeiro filme e a SHIELD durante os eventos de Capitão América: Soldado Invernal e aprendeu do pior jeito que: Não dá para confiar numa organização centralizadora.

 

A SHIELD e sua rede compartimentada de informações foi o ninho perfeito para a Hydra crescer de dentro pra fora e quase ameaçar a segurança mundial por assumir controle de uma entidade de segurança poderosa. O exército dos EUA, mais interessado em usar Steve como objeto de propaganda do que como soldado, exigiu que o Capitão pisasse além dos interesses do governo e por conta própria entrasse em combate para finalmente interferir de modo positivo e direto na batalha.

 

A filosofia em que o Capitão se baseia é fortemente influenciada pelo pensamento liberal anglo-americano, que se opõe ao radicalismo continental. Não é exatamente como se o personagem quisesse liberdade total para que todo meta-humano possa fazer o que quiser, mas sim que a responsabilidade de seus atos seja individualizada. Cada herói responda unicamente por seus atos ao invés de deixar uma agência controlar a ação dos heróis e assim, servir a uma agenda política ao invés de agir pela própria bondade.

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Homem de Ferro e as agências reguladoras

Ao contrário do Capitão América, Homem de Ferro nunca lidou com ordens e restrições. Sua história como negociante de armas lhe colocava em lugar privilegiado de negociação e uma vez tornado o Homem de Ferro foi ativamente contra o controle estatal chegando a declarar que tinha “privatizado a segurança mundial” em Homem de Ferro 2, podendo se comparar a um anarcocapitalista da escola austríaca.

 

Mas claro, com o tempo suas atitudes o prejudicaram, a própria ação que o tornou o Homem de Ferro em seu primeiro filme é consequência de uma falha administrativa da empresa que possibilitou um dos líderes de negociar com terroristas e os eventos de Era de Ultron em Homem de Ferro 3 foram diretamente causados pela falta de responsabilidade do personagem.

 

Sabendo disso ele anseia por uma regulação para que esse tipo de desastre não aconteça com os outros da forma como que aconteceu com ele, abandonando sua visão “laissez faire” continentalista e aceitando um certo nível de regulação central, onde fosse possível planejar e investigar melhor as ações dos heróis

 

Mas claro, não é como se o personagem estivesse promovendo um controle total do Estado nos heróis como se fossem uma polícia secreta totalitarista. A visão do personagem está mais ligada a um liberalismo social ou social democrata que prevê regularizações para “um bem maior” (como ele mesmo repete no filme). E não atoa o órgão que iria regular os heróis é a ONU, que é fundada baseada no pensamento de filósofos como Rousseau, que defendia que os valores coletivos de igualdade e justiça prevalecem sobre a ideia de liberdade individual.

Devido a todas as marcas que carrega pelo seu passado e não desejando que o mesmo aconteça com outros heróis, Homem de Ferro defende uma regulação centralizada que possa assumir as responsabilidades dos heróis e evitar de acontecer catástrofes.

Resumo

E você, qual lado tomou nessa briga? Os heróis devem ser livres para atuar por conta própria e serem responsabilizados individualmente por suas escolhas ou um controle supostamente neutro deve guiar as ações e o fazerem atuar pelo bem comum? Deixem suas respostas nos comentários.

 

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