Início Análises e Teorias Baldur’s Gate e a polêmica da personagem trans

Baldur’s Gate e a polêmica da personagem trans

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Recentemente foi lançado a nova DLC “Siege of Dragonspear” para o clássico jogo Baldur’s Gate que adicionou diversos elementos ao jogo, entre eles, a inclusão de uma personagem não jogável que é transgênero. Como era de se esperar muitos jogadores conservadores ficaram revoltados com a adição. Mas a surpresa é que o próprio público transexual está incomodado com o personagem, entenda um pouco o que está acontecendo.

 

A personagem em questão é Mizhena, uma clérica que nasceu e foi criada como homem mas que depois assumiu uma identidade feminina. A descoberta de seu passado vem em uma casual conversa no já famoso mecanismo de diálogo do jogo.

 

Após ser perguntada sobre seu nome pelo protagonista do jogo (que considera o nome incomum), a personagem responde que foi um nome criado pela personagem tempos atrás, pois seu nome de nascimento “não lhe era mais próprio”. Após uma segunda pergunta ela então revela seu passado.

Algumas pessoas ficaram revoltadas unicamente porque a personagem não se encaixa no ponto de vista binário que conservadores idealizam e qualquer reflexo de diversidade em um jogo digital soa como uma panfletagem política. Essa opinião não é importante levar em conta porque reflete muito mais preconceito do que uma crítica construtiva para melhorar o ambiente do jogo.

 

As críticas de pessoas transexuais sobre a personagem no entanto, coloca algo mais sério e embasado em questão. A reclamação é justamente o sentimento de que a diversidade foi usada apenas como marketing para chamar atenção ao jogo e que a representação do personagem não adiciona nada de diferente na narrativa.

 

Talvez o posicionamento mais famoso no caso foi no fórum da steam onde a pessoa com nome de “Jinx” criticou diretamente o escritor do jogo Amber Scott por utilizar a personagem como alvo para uma guerra política.

 

Em uma crítica mais construtiva e elaborada, uma mulher trans com nome splatypus descreveu sua relação com jogo e como ele ajudou em reconhecer sua verdadeira identidade de gênero, mas a crítica é a mesma. O jogo não soube aprofundar a personagem nem se esforçou para adicionar em algo na história, apenas para se diferenciar por simplesmente ter uma personagem trans.

 

Então a comentadora do fórum dá luz a como poderia ser uma inclusão mais apropriada da personagem. A começar que dificilmente a primeira coisa que a personagem informaria seria sobre sua transexualidade, por ser um assunto difícil de abordar. Somente com uma interatividade maior com a personagem e com algum tipo de ligação, talvez até incluindo ela no grupo de batalha, essa revelação sairia de forma mais natural.

 

O escritor Amber Scott se defendeu dizendo que colocou a personagem no jogo justamente por motivos criativos, já que criar um mundo apenas com homens, brancos e cis gênero não refletiriam a realidade. E pediu para que os jogadores que gostarem do jogo possam dar notas positivas ao jogo. Que está com péssima notas em sites como metacritic e GOG (mas com notas favoráveis na steam, único lugar que exite que você tenha o jogo para poder dar nota). Alimentando o clima de jogo político da situação.

 

Tomemos o caso como exemplo para, quando adicionarmos diversidade nas histórias, sejam em jogos, quadrinhos, literatura ou cinema, para fazer com propósito narrativo e incrementar o personagem naturalmente a trama, fazendo o que as artes narrativas tem de melhor, trazer empatia e conexão a esses personagens.

 

Usá-los apenas como checklist de minorias sem propósito é colocar um grande alvo no público trans em troca de tornar seu próprio jogo mais diverso. Isso vai mais atrapalhar o público que você quer ajudar do que acrescentar algo de positivo no mundo.
Em um ótimo exemplo de adição de diversidade em jogo feita com primazia, deixo essa análise do canal do youtube Extra Credit, sobre o personagem Kanji, de Persona 4. (Não se preocupem, está legendado em português.

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