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As diversas linhas narrativas de Demolidor

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Mais uma vez a parceria Netflix e Marvel nos brinda com uma ótima adaptação vinda dos quadrinhos com seriedade e fidelidade ao material original em uma série de thrillers de perder o fôlego.

Um dos elementos a se destacar da série foi saber lidar com diversas linhas narrativas, dando cada personagem uma história própria usando em cada um deles uma das diversas subdivisões do gênero thriller, vamos analisá-los por partes.

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Justiceiro e o Thriller Criminal

Logo no início da série somos apresentados a uma série de ocorrências misteriosas e assustadoras contra diversos grupos mafiosos. Pela cena do crime os policiais suspeitam de uma guerra de gangues e até de uma ação de um grupo militar contra os criminosos, mas nós espectadores já sabemos que os ocorridos são crimes de um homem só, e seu nome é Frank Castle.

Na sua quarta representação em live action, o personagem Justiceiro nos é apresentado pelo ator Jon Bernthal que em um brilhante papel adiciona diversas camadas psicológicas sobre o personagem. Num constante estado de tensão, vemos um personagem sempre em conflito e a ponto de explodir, algo parecido com o personagem do Rei do Crime na temporada anterior.

Somos mergulhados na mente de Castle, suas motivações e sua declaração privada de guerra ao crime. Inicialmente como inimigo, Justiceiro e Demolidor combinam no interesse em combater o crime, mas com fins diferentes. O conflito que os personagens sofrem nas HQs está muito bem representada na série. Desse gênero no cinema temos os filmes “Silêncio dos Inocentes” e “Colecionador de Ossos”.

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Elektra e o Thriller erótico

Sem dúvida a personagem que mais evoluiu de suas representações anteriores. De uma personagem sem sal e vazia de um dos piores filmes de heróis de todos os tempos (Elektra de 2005) temos uma personagem complexa, sensual, agressiva e completamente insana.

Aparecendo na história quando Murdock estava em um relacionamento quase estável com Karen Page, a personagem abala o emocional rígido do protagonista e o coloca em decisões difíceis de serem feitas. O passado dos dois é mostrado em forma de flashback, incluindo uma vigorosa cena de sexo.

Suas cenas de luta adicionam ação e um temperamento sensual pelo passado compartilhado com o protagonista e seu conflito atual por este estar comprometido. Conflito esse que é bem representado em diversos thrillers eróticos.

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Foggy Nelson e o Thriller Jurídico

Quando achei que a primeira temporada já tinha dado uma importância nunca vista ao personagem, me surpreendi pela atenção e trabalho ao usarem o personagem sozinho numa representação no caso Castle frente a promotora de justiça de Nova York, e qual não foi a surpresa de ver o personagem brilhar em cena?

Foggy representa o gênero Thriller Jurídico, onde a plateia acompanha o sistema de defesa de um advogado que está contra uma força maior (no caso da série, contra a promotora) e tem de defender uma causa impossível (a de Castle). Com folga o melhor momento do personagem, sua atuação no judiciário possibilita uma independência de Matt Murdock e uma auto afirmação. Desse mesmo gênero temos “Questão de Honra” (A Few Good Man) e “12 homens e uma sentença”.

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Karen Page e o Thriller conspiratório

Atuando como assistente de Foggy no julgamento e depois como investigadora jornalistica, Karen Page foi outra personagem que alcançou independência e importância nessa temporada e uma força na personalidade que não temos em sua versão dos quadrinhos.

 

Fazendo agora quase o papel que Ben Urich fez na primeira temporada, Karen pesquisa o massacre do Central Park onde a família de Castle foi assassinada, se colocando em meio a uma grande conspiração governamental que põe sua vida em risco.

 

Essa narrativa é própria dos thrillers investigativos, onde o protagonista corre sempre um risco sério a própria vida ao passo que vai desmascarando as forças que controlam pelas sombras os conflitos da história. Filmes do cinema noir moderno são famosos por terem esse tipo de conflito, como LA Confidential (Los Angeles – Cidade Proibida) e Chinatown.

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O Tentáculo e o thriller sobrenatural

O mais esperado dos elementos narrativos foi finalmente incorporado as séries Marvel/Netflix, estou falando claro dos elementos sobrenaturais nos personagens do Tentáculo e em sua ponte com a narrativa convencional sobre o personagem Stick.

Apesar da abordagem mais urbana e realista das séries em comparação com os filmes, sabemos que esse ambiente mágico existe, pois ambos universos são compartilhados e ainda iremos ser apresentados ao Punho de Ferro, mas mesmo assim o assunto ainda era tradado com insegurança pelos showrunners e parecia que essa abordagem estava cada dia mais adiada.

Pois eu diria que a espera valeu a pena. Usando elementos dos thrillers sobrenaturais, somos agora oficialmente apresentados a organização que atende por Tentáculo (Hand) e seus poderes sobrenaturais. Até então vemos apenas a imortalidade e um longo plano de reviver um grande mal antigo. Para fazer a ligação com o mundo realista da série, são usados os personagens da Elektra e principalmente de Stick para fazer uma explicação razoável de seus poderes.

Esse constante questionamento entre o real e o fantasioso, que coloca em cheque a sanidade de personagens “pé no chão” como Demolidor e a Claire Temple é frequentemente tratada em filmes como Jacobs Ladder (que influenciou a franquia Silent Hill).

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