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Como o cancelamento de Silent Hills influenciou os jogos de terror

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Sim, eu como fã da série também me sinto viúvo pelo cancelamento do jogo. Um time de desenvolvimento com feras como Hideo Kojima, Guilherme del Toro e o recém confirmado Junji Ito, além de ter o reconhecimento facial de Norman Reedus para o protagonista, um teaser que sozinho conseguiu revolucionar os conceitos do horror nos jogos digitais… O posicionamento da Konami chega a ser irresponsável com toda a indústria de jogos digitas, por deixar morrer uma obra que teria de tudo para ser um clássico instantâneo. Então, qual foi à resposta da indústria perante o acontecido?

Obviamente, com a fama quase viral do teaser chamado P.T. e a confirmação de seu cancelamento, toda a indústria de jogos ficaria atenta para os acertos do jogo e de como poderiam usar em obras próprias, alguns jogos foram criados no vácuo direto do jogo enquanto outros tomaram grandes inspirações da ambientação do jogo. Confira alguns dos exemplos de jogos que vale a pena uma olhada atenta.

Allison Road

Um jogo que não tem medo de pegar os pontos estruturais da narrativa, jogabilidade e estética do teaser e adapta-los diretamente para um jogo próprio, Allison Road é realmente a “sequencia espiritual” do recém-cancelado Silent Hills. Criado por fãs que ficaram decepcionados com o cancelamento do jogo, Allison Road também retrata um protagonista sem nome que acorda em uma casa sem nenhuma explicação e é deixado para interagir com os objetos inanimados sem a possibilidade de sair.

 

Em certo ponto da experiência o jogador é assombrado por uma figura fantasmagórica feminina banhada em sangue e aparentemente deformada, onde há alguma implicação que o protagonista pode ser responsável pela inquietação do espírito. Um jogo ambientado na Inglaterra e desenvolvido por uma equipe britânica, mas que soube adaptar a estética japonesa de horror.

 

Até o momento foi disponibilizado um teaser em forma de “lets play” onde um jogador mudo interage com o ambiente e é atacado pela figura fantasmagórica. A campanha modesta de arrecadação de 25.000 libras (algo em tordo de 150 mil reais) foi abandonada para aceitar um financiamento da desenvolvedora “Team17”, conhecida pela criação de jogos como Worms e outros clássicos de computadores dos anos 90. Afastando assim a possibilidade do desenvolvimento do jogo ser um hoax. O lançamento está previsto para 2016.

 

Layers of Fear

Nesse caso a influência é bem mais sutil, sendo a semelhança entre ambos, quase temática. Layers of Fear nos mostra um passeio pela mente obcecada de um artista com sua obra que ele nunca consegue terminar, mas sabe que um pouco de seu espírito está contido nela. Ambientado no século XIX, Layers of Fear transparece toda uma estética da literatura gótica inglesa e uma aventura pela psique de uma pessoa atormentada.

 

A semelhança do jogo, além de possuir um enredo denso e conflitos problemáticos de personalidade, também se encontra no gameplay em primeira pessoa com interação simples com objetos, além da repetição de telas e cenários para adicionar a sensação de desorientação ao jogador, além de algumas tomadas e pontos de vistas que sugerem confusão e abuso de drogas alucinógenas.

 

O jogo foi lançado em agosto de 2015, um ano depois do lançamento do teaser, por isso sua influência é mais sutil, sendo provavelmente adicionada no meio do desenvolvimento do jogo. O jogo é sucesso de crítica e público sendo considerado sua ambientação imersiva como melhor qualidade.

 

Black Hound

O jogo mais polêmico desse texto, Black Hound começou como uma campanha viral que fez fãs (este incluso) acreditarem se tratar de uma campanha de Kojima no mercado indie de games. Desde a criação de um site com mensagens criptografadas que transformaram a expectativa do game em um grande jogo de realidade aumentada, onde valia fuçar no código fonte da página e rastrear o IP do criador do site.

Os donos da página iam soltando imagens periodicamente que davam cada vez mais a entender que se tratava de um projeto de Kojima. Um contador foi adicionado à página para a revelação final do projeto e, digamos, não foi exatamente bem recebida a notícia de que os desenvolvedores não eram ligados ao game designer japonês.

Constantes ataques à página e um descrédito total do projeto levaram grande parte da mídia especializada em questionar até mesmo se existe realmente um jogo sendo desenvolvido. Os criadores da novata empresa garantem que sim. De minha parte, ainda espero que saia algo num futuro próximo e que, se o jogo for agradável, possam ser expurgados pelo grave crime de mencionar o nome do Deus Gamer, Hideo Kojima, em vão.

 

Visage

Idealizado pela SadSquare Studio, uma desenvolvedora indie estreante no mercado de games, Visage trás o visual sóbrio e ultrarrealista da casa em P.T. e mistura com os mais diversos elementos já clássicos dos jogos de horror. Desde os conceitos essenciais de point n click clássicos como Phantasmagoria como o ambiente interativo da série Penumbra e Amnesia. A temática do jogo parece fundada no terror psicológico de narrativa densa e atmosférica. Evitando o terror imediato de jumpscare comum hoje em dia.

A empresa criou um canal no youtube aonde tem disponível um gameplay alpha (que precede o beta) e apresenta a equipe e seu trabalho. A página deles do kickstartertambém foi criada e já arrecadou o mínimo para garantir a produção do jogo, mas pretende arrecadar mais para construir ambientes complexos dentro do game, sendo a última conquista um ambicioso projeto de criar toda uma cidade do terror.

Devo dizer que foi um dos projetos do Kickstarter mais bem elaborados que vi, com detalhes concretos sobre custos e planejamento e de fácil entendimento, o que é surpreendente pra uma empresa que acaba de entrar no negócio. Tenho a melhor das expectativas com o jogo e espero uma boa obra no final.

Conclusão

Silent Hills tinha tudo, desde equipe até orçamento, para fazer o grande próximo clássico do gênero horror e levar a obra no nível de uma obra prima da arte para ficar registrada na história. Infelizmente a péssima atitude desrespeitosa da Konami com seus fãs e com seu próprio material intelectual parece ter enterrado o projeto pra sempre.

Porém, temos de concordar que algo de produtivo foi extraído no lugar. É sem dúvida gratificante ver a inovação e mutabilidade do mercado de jogos digitas e a resposta quase imediata da indústria indie em relação ao pedido de fãs desconsolados. E fica aqui a esperança de um pobre fã de que Hideo Kojima embarque no mercado indie de jogos digitais assim como Koji Igarashi, game designer que também foi desligado da Konami e criou seu próprio jogo.

Vamos lembrar Silent Hills e P.T. não como um projeto que nunca aconteceu e quebrou nossos corações pra sempre, mas sim como o projeto que mudará a estética e o mercados de jogos de horror para sempre.

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