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Questionamentos de Frankenstein em Resident Evil e Parasite Eve

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Considerado o primeiro livro de ficção científica da história, Frankenstein, ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley conta a história do Dr. Frankenstein que, obcecado pelo conhecimento sobre a biologia e funcionamento do corpo humano, decide recriar a vida humana com suas próprias mãos, criando uma espécie de monstro de partes humanas mortas que, uma vez consciente, não reconhece seu lugar no mundo e passa a aterrorizar o doutor e pessoas próximas a ele em busca de respostas.

O livro de Shelley é um clássico absoluto do horror e deixou marcas permanentes no gênero durante séculos. Obviamente essa influência seria refletida e difundida nas mais diversas mídias artísticas até os dias de hoje. Dois temas centrais do livro são bastante comuns e merecem atenção, são eles: 1)A tentativa de superação a morte, que seria a inspiração do Doutor Frankenstein em criar o monstro e 2) um ser que tome consciência de si e se confronte com a ideia de existir, que é passagem de quando o monstro passa a existir e questionar seu propósito no mundo.

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Tratando principalmente do primeiro ponto e revivendo a estética de George Romero e seus filmes de zumbis, Resident Evil é mais um exemplo a esse grande escopo anticientífico do terror. Criado como uma fórmula de rejuvenescimento que pode recuperar células mortas, a empresa farmacêutica multimilionária Umbrela falha em seus projetos e acaba criando uma forma de raça de mortos vivos. Mesmo não tendo o resultado esperado, a empresa ainda tenta manter o controle sobre essa nova criação e procura vender o projeto para o governo americano como armamento limitar, causando todo o círculo de desgraças cometido aos protagonistas do jogo e espalhando o caos por Racoon City.

A obsessão da ciência com a prevenção da morte pode ser visto também em menor grau no jogo Parasite Eve, que na verdade é uma sequência de um livro homônimo de Hideaki Sena. Contado brevemente durante o jogo, a história original se passa no Japão, onde após um acidente de carro, Kiyomi tem falência cerebral. Eve, a personificação da revolução mitocondrial, influencia o marido de Kiyomi e um doutor para que o rim dela seja transplantado para uma adolescente, ao mesmo tempo em que suas células são cultivadas em laboratório, se preparando para o momento de que possa tomar controle do corpo e criar o “ultimo ser”. Um corpo de pura energia.

Assim, Parasite Eve nos trás também o outro tópico assustador levantado por Mary Shelley, um organismo que tem ciência em existir. Eve tem poder inclusive de influenciar o livre arbítrio de humanos próximos a ela, e em busca da supremacia das mitocôndrias como seres reinantes, ela busca o extermínio da raça humana.

A senciência também é abordada em narrativas que envolvem a inteligência artificial. Podemos considerar uma evolução da ideia original de Shelley, a ideia é uma consciência eletrônica que sozinha, terá consciência de si mesma e assim, não poderá mais ser desligada ou manipulada.

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Assim como o monstro de Frankenstein, geralmente essa nova inteligência artificial se ressente com a humanidade e ou tenta escraviza-la, como na trilogia de filmes Matrix, funciona em uma ética pragmática e fatalista que desconsidera a vida humana em favor da autoproteção, como em “2001: Uma odisseia no espaço” e “Eu, Robô” ou simplesmente busca a exterminação, como o caso do vilão Ultron, dos quadrinhos e filmes da Marvel.

É interessante notar que todos esses temas são abordados no livro. A primeira morte cometida pelo monstro é em sinal de auto defesa e proteção da própria vida. Ao tentar reconciliar com seu mestre pedindo que ele construa uma parceira para si, ele escraviza seu mestre pelo horror, ameaçando-o e, finalmente, quando seu mestre se recusa a cumprir o planejado, promete extermina-lo.

Sendo assim Frankenstein, uma novela escrita no início do século XIX por uma garota de 19 anos, serve como marco definidor do gênero e se mantém atual, ao seu modo pelo menos, até os dias atuais. Tendo seus questionamentos sobre superação da morte e propósito da existência no mundo não respondidos até hoje e atualizados nas mais diversas formas narrativas.

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