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Marvel e o Protagonismo Feminino

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HQs tem uma grande fama de mostrar apenas imagens de homens idealizados e super protetores e retratarem as mulheres como objetos ou troféus. Infelizmente isso se mostra verdade em muitos casos, porém há toda uma história de participação femininas nas HQs e sua conquista de espaço que merece ser contada.

Usei a história da Marvel não por ela se destacar exclusivamente das concorrentes no tema, e sim por ser a editora que tenho melhor familiaridade, facilitando a pesquisa. Irei considerar também os tempos de Timely Comics, a editora que precedeu a Marvel nos anos 40 e criaram os primeiros heróis da editora.

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Femme Fatale

Muito influenciado pelo cinema noir de 1940 e pelas vilãs dos filmes de espionagem da década de 60, essa arquétipo de personagem trás uma figura feminina que opera entre o limite da vilania com o heroísmo e traz um ar sensual que geralmente serve para seduzir o herói e testar seu compasso moral.

Claro que há vezes que as anti-heroínas tinham tempo para brilhar sozinhas como personagens principais de suas próprias histórias. Claire Voyant, a primeira personagem a se chamar Viúva Negra (não relacionada com as espiãs russas), é considerada a primeira personagem mulher a ter poderes e um uniforme próprio, estreando em agosto de 1940.

Claire Voyant era uma médium que ganhou seus poderes diretamente de Satã e tinha como objetivo matar malfeitores e entregar suas almas para Satã. A anti-heroína foi revivida na série “Os Doze”.

Temos também Miss Fury (ela não foi criação da Timely, mas foi futuramente adicionada a editora) como um exemplo clássico de femme fatale. Ela usava uma fantasia mágica de pantera que lhe dava habilidades de luta, influenciando talvez o design de personagens como Pantera Negra e Mulher Gato (A mulher gato na época era chamada apenas de gato e não teve uniforme até os anos 70).

Durante a guerra fria, filmes de espionagem como “007” re-popularizaram a ideia de espiãs sensuais comunistas infiltradas nos EUA. E foi com essa mentalidade que a Viúva Negra mais conhecida, Natasha Romanov, foi criada.

Originalmente vilã do Homem de Ferro, Natasha era encarregada de seduzir Tony Stark para conseguir segredos de armamento americano e levar para a União Soviética. Foi também responsável pela criação do Gavião Arqueiro como vilão, sendo ambos virando heróis e entrado para os Vingadores quase no mesmo período.

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Troca de Gênero

Um clichê bastante comum também é quando, ao invés de criar uma personagem feminina com sua própria mitologia e significado, é feito uma versão feminina de um herói já consagrado, acrescentando apenas uma história de fundo qualquer para dar algum sentido. Eu considero isso uma saída fácil de criação de enredo e roteiro, mas que infelizmente foi muito comum.

Durante os anos 40, os principais heróis da editora tinham sua versão feminina que às vezes servia de side-kick. Namor tinha a Namora, Tocha Humana tinha a Sun Girl e o Capitão América, acreditem, tinha a Miss América.

O pior é que esse clichê não morreu com a Timely comics e no auge da Marvel Comics, grandes heroínas atuais já foram uma sombra de sua contraparte masculina, como a She-Hulk, Spider Woman (que foi criada apenas para registro da marca) e Miss Marvel, atual Capitã Marvel. Felizmente a maioria delas conseguiram conquistar seu espaço próprio e no caso da Capitã Marvel, ser até mais famosa que a contraparte masculina.

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O princípio Smurfete

Durante os anos 60 os Estados Unidos foi sacudido por uma nova onda progressista influenciada por protestos no mundo todo e uma dessas frontes era a libertação feminina, também conhecida como a segunda onda do feminismo. Isso de fato refletiu em mídias populares como os quadrinhos, porém a mídia ainda tinha seus tropeços.

Princípio de Smurfete é o nome dado a uma equipe de ficção que tem uma predominância masculina e tem apenas um exemplar feminino no time. Geralmente a garota da equipe serve às vezes como donzela em perigo ou como motivação amorosa e disputa interna da equipe. As três primeiras grandes equipes da Marvel contavam exatamente com uma mulher em cada. A única que explicitamente tinha um relacionamento com alguém da equipe foi Janet Van Dyne (Vespa) que já aparecia casada com Hank Pym (Homem Formiga) nas aventuras próprias em Tales of Astonish. Mesmo assim às vezes escapava uns diálogos bem sexistas nas reuniões com os Vingadores.

Quarteto Fantástico, primeiro grupo de super seres da reformulada Marvel. Tinha Sue Storm (Mulher Invisível) que apesar de ser uma das mais poderosas da equipe, frequentemente era retratada como uma pessoa frágil. Ainda que a pior da lista seja Jean Gray (Fenix), que foi assediada por TODOS os membros da equipe, incluindo o Professor Xavier.

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Conquista de Espaço

Claro que nem tudo é tristeza nessa história de participação feminina em quadrinhos da Marvel. Nos anos 40, Venus (ou Afrodite) já seria uma personagem com uma história única e independente e conta inclusivamente com a primeira participação de personagens que futuramente fariam sucesso na Marvel, como Thor, Loki e Hércules.

Vale ressaltar também as conquistas que personagens femininas bem escritas vieram com o tempo. A equipe dos X-men receberam durante os anos 80 personagens como Lince Negra, Tempestade, Vampira e Psylocke. Os Vingadores passaram por uma reformulação aceitando ex vilãs como a Feiticeira Escarlate e a Viúva Negra. Natasha inclusive ganhou histórias próprias excelentes como a graphic novel “A Mais Fria das Guerras”.

Personagens novas também foram criadas e dessa vez sendo únicas por si só, como a Capitã Marvel Monica Rambeau (que não tem nenhuma relação com o Capitão Marvel) e as heroínas urbanas Misty Knight e Jessica Jones, apesar da segunda ser uma heroína aposentada. Jessica Jones ganhará uma série na Netflix e Misty Knight irá aparecer na série de Luke Cage.

Recentemente, novas personagens foram criadas ou reformuladas para atrair um novo público feminino mais jovem. Spider-Gwen (Gwen Stacy de uma realidade alternativa que picada por uma aranha no lugar de Peter) mistura bem um humor adolescente em histórias de super herói. Garota Esquilo, que trás a fama de vencer grandes vilões da Marvel como Dr. Doom, Galactus, e Thanos. Além de dar duas surras no Deadpool. E claro, Ms. Marvel. Adolescente, parda, muçulmana e super-heroína, dando um grande destaque de diversidade nos quadrinhos.

E você, tem alguma heroína favorita que ficou fora da análise? Deixe sua opinião nos comentários.

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